Se você já viajou para fora do Brasil ou comprou em um site internacional, provavelmente notou que o valor final na fatura veio um pouco mais alto do que esperava.
Grande parte disso é culpa do IOF, o Imposto sobre Operações Financeiras, que incide em praticamente toda transação feita em moeda estrangeira.
A boa notícia é que vários bancos decidiram assumir esse custo por conta própria, e estão devolvendo o IOF ao cliente, seja em forma de cashback ou simplesmente não repassando o imposto.
Neste artigo, você vai entender como funciona o IOF, o que é o spread cambial e quais são os melhores cartões para usar no exterior em 2026.
O que é o IOF e como ele funciona nas compras internacionais?
O IOF é um imposto federal cobrado pelo governo brasileiro em diversas operações financeiras. Quando o assunto é viagem ou compra internacional, ele aparece sempre que você:
- Usa o cartão de crédito em lojas físicas fora do Brasil;
- Compra em sites estrangeiros que cobram em outra moeda;
- Faz transferências internacionais;
- Usa contas globais (como Wise, Nomad ou Revolut).
A alíquota atual é de 3,5% sobre o valor total da compra já convertido em reais. Na prática: se você gastar R$ 5.000 no exterior, já paga R$ 175 só de imposto, antes de qualquer outra taxa do banco.
O que mudou?
Em 2025, o governo federal padronizou o IOF em 3,5% para quase todas as operações internacionais, igualando cartões de crédito, contas globais e transferências.
Em 2026, essa alíquota foi mantida. O plano de redução gradual que existia antes foi oficialmente cancelado, e o imposto deve permanecer nesse patamar enquanto não houver uma nova decisão do governo.
O que é spread cambial? Por que isso importa tanto quanto o IOF?
Além do IOF, existe outra cobrança que costuma passar despercebida: o spread cambial. Ele é a diferença entre o dólar comercial (o câmbio oficial) e o dólar que o banco efetivamente te cobra na hora de converter a compra.
Por exemplo: se o dólar comercial está a R$ 5,80, mas o banco te cobra R$ 6,20, os R$ 0,40 de diferença por dólar são o spread.
Nos grandes bancos tradicionais, esse spread pode chegar a 7%. Somado ao IOF de 3,5%, o custo total de uma compra internacional pode ultrapassar 10%.
Por isso, ao comparar cartões, olhe sempre os dois números juntos: IOF + spread = custo real total.
Os melhores cartões com IOF zero (ou cashback de IOF)
A seguir, veja os principais cartões e instituições que oferecem condições especiais de IOF para compras internacionais.
BTG Pactual: IOF zero em todos os cartões

O BTG Pactual se destaca como uma das melhores opções do mercado: oferece isenção total de IOF em todos os seus cartões de crédito, sem limite de valor.
O benefício é válido por tempo indeterminado. Antes, a política era de cashback limitado de 1,1%; agora, a isenção é completa. Para quem gasta com frequência no exterior, é uma das propostas mais vantajosas disponíveis.
Nubank Ultravioleta: cashback do IOF na fatura

Em agosto de 2025, o Nubank reformulou os benefícios do Ultravioleta, seu cartão premium.
Uma das novidades é o cashback do IOF: após compras internacionais, o banco devolve o valor diretamente na fatura em até 7 dias. Na prática, o efeito é o mesmo que não pagar o imposto. O cartão também oferece spread competitivo e acúmulo de cashback em todas as compras.
Porto Bank: cashback de IOF com limite mensal

O Porto Bank oferece devolução total do IOF para todos os seus cartões. O cashback é creditado automaticamente, com limite de até R$ 50 mil em gastos internacionais por mês, o que, na prática, não é uma restrição para a maioria das pessoas.
É necessário fazer a adesão pelo aplicativo Porto para ativar o benefício.
Caixa Econômica Federal: campanha de IOF zero até 2027

A Caixa mantém desde 2024 uma campanha que devolve o IOF cobrado nas compras internacionais nos cartões Visa Platinum, Visa Infinite e no Caixa Ícone Visa Infinite. A campanha foi prorrogada e está válida até 31 de janeiro de 2027.
É importante fazer a adesão antecipada, pois compras realizadas antes do cadastro podem não entrar na promoção. O spread da Caixa é de 4%, mas a devolução do IOF torna o custo total bastante competitivo, especialmente para quem tem o Ícone Visa Infinite, que pontua 6 pontos por dólar gasto no exterior.
Banco do Brasil: IOF zero nos cartões Altus

O Banco do Brasil oferece condição especial de IOF zero nos cartões da linha Altus (Altus e Altus Liv), ambos na bandeira Visa Infinite.
Para os demais cartões premium do banco (Visa Infinite, Smiles Visa Infinite, Mastercard Black, Elo Nanquim e Elo Diners Club), a alíquota é reduzida para 1,1%, o que ainda representa uma economia significativa em relação aos 3,5% cobrados normalmente.
Sicredi: IOF zero em promoção

O Sicredi lançou uma campanha com cashback de até 100% do IOF para os cartões Sicredi Visa Infinite e Sicredi Visa Empresarial.
A promoção foi válida até 18 de março de 2026. Fique atento a novas campanhas que a cooperativa pode lançar ao longo do ano.
IOF zero resolve tudo? O que mais avaliar na hora de escolher
Ter isenção de IOF é um grande diferencial, mas não deve ser o único critério. Veja o que mais considerar:
1. Spread cambial
Um cartão com IOF zero mas spread alto pode custar mais do que você imagina. Compare sempre o custo total, somando spread e IOF.
2. Anuidade e requisitos de renda
Alguns cartões premium que oferecem isenção de IOF exigem renda mínima ou cobram anuidades altas. Verifique se o benefício compensa o custo de manter o cartão.
3. Acúmulo de milhas e cashback
Se o cartão ainda acumula pontos ou oferece cashback em compras internacionais, o retorno financeiro pode ser ainda maior. Considere esses ganhos no cálculo.
4. Facilidade de adesão
Alguns benefícios de IOF exigem cadastro prévio no aplicativo do banco. Faça isso com antecedência para não perder compras.
Dicas práticas para economizar nas compras internacionais
Mesmo com o melhor cartão na carteira, pequenos cuidados fazem diferença:
- Sempre pague em moeda local: Quando a maquininha ou o site oferecer cobrar em reais (chamado de DCC), recuse sempre. A taxa de conversão usada nesse caso é muito desfavorável.
- Avise o banco antes de viajar: Isso evita bloqueios por suspeita de fraude.
- Tenha um cartão de backup: Leve mais de uma opção para emergências.
- Evite saques com cartão de crédito: Além do IOF, incidem juros imediatos sobre o valor sacado.
- Cadastre-se nos benefícios antes de viajar: Campanhas como a da Caixa e do Porto Bank exigem adesão prévia.
O IOF de 3,5% sobre compras internacionais veio para ficar, pelo menos por enquanto. A redução gradual prevista para os próximos anos foi cancelada, e o cenário exige mais atenção na escolha do cartão certo.
A boa notícia é que o mercado respondeu bem: BTG Pactual, Nubank Ultravioleta, Porto Bank, Caixa e Banco do Brasil são exemplos de instituições que estão absorvendo esse custo e entregando isenção ou cashback de IOF para os clientes.
Além do IOF, lembre-se sempre de avaliar o spread cambial e os benefícios adicionais de cada cartão.
Com as informações certas, você viaja mais tranquilo, economiza no câmbio e ainda pode acumular pontos no processo. Boa viagem!